Instituto Gregoriano de Lisboa
Nicolaus Bruhns (1665‐1697) nasceu em Schleswig‑Holstein, na Alemanha, no seio de uma familia de musicos. Estudou inicialmente orgao com o seu pai Paul Bruhns, organista em Schwabsted. Aos dezasseis anos de idade foi estudar violino e viola dagamba com um tio que residia em Lubeck e foi nesse ambito que conheceu Dietrich Buxtehude, referencia incontornavel da tradicao organistica norte‐alema do seculo XVII, tornando‑se o seu melhor e mais conceituado discipulo. Tendo iniciado uma proficua carreira de organista, nos programas de concerto incluia sobretudo obras suas. Segundo descricao de Johann Matheson, Bruhns tinha tambem a particular habilidade de tocar pecas para violino ao mesmo tempo que se acompanhava com a pedaleira do orgao. Tal como ja era referido por Samuel Scheidt na sua Tabulatura nova de 1624, a Imitatio violonistica realizada pelo orgao era muito apreciada pelo gosto da epoca, tendo Bruhns provavelmente elevado a essa Imitatio a um patamar pouco usual. Depois de uma breve estadia na Corte de Copenhaga, foi com vinte e quatro anos nomeado organista da Marienkirche de Husum. Ao falecer apenas sete anos depois desta nomeacao, deixou‐nos uma obra relativamente curta na qual se destacam cerca de uma duzia de cantatas e seis obras para orgao. Destas constam uma fantasia coral, quatro Praeludien, e um Adagio (provavel fragmento de uma obra perdida) que escutaremos em primeira audicao em Portugal, depois de uma recente descoberta musicologica no Husumer Orgelbuch de 1758. Os seus Praeludien para orgao sao escritos na tradicao norte‐alema do seculo XVII, e do chamado stilus phantasticus, no qual se alternam seccoes improvisadas (tocatas) com outras de denso contraponto (geralmente fugas). A genialidade da sua obra nao caiu no esquecimento muito por influencia do obituario de Johann Sebastian Bach. Nele e referido por Carl Philip Emanuel Bach que o seu pai era um grande admirador da musica de Nikolaus Bruhns. Talvez essa referencia seja o maior contributo para o elevado prestigio que Bruhns sempre manteve junto de varias geracoes de organistas.
(António Esteireiro)


